sábado, 31 de março de 2018

A MTC E A ACUPUNTURA NA PRÁTICA DESPORTIVA



A literatura brasileira sobre o emprego de novos métodos, que podemos chamar de não ortodoxos nos esportes ainda deixa a desejar. Porém, já se pesquisam em vários centros desportivos do mundo, como essas técnicas podem ou poderão ajudar a todos os atletas,  nas mais variadas modalidades desportivas. O presente estudo visa enfatizar as técnicas oriundas da Medicina Tradicional Chinesa, no que tange ao treinamento, obedecendo-se o Biorritmo individual de cada atleta na fase de treinamento e até mesmo as técnicas de potencialização, recuperação e tratamento das lesões, antes, durante e após a prática desportiva.
O programa de Acupuntura e Biorritmo está bem fundamentada nas bases da MTC e nos mostra a importância de conhecermos adequadamente as diferentes ocasiões em que o desempenho físico, emocional e intelectual, são mais propícios para o desempenho de qualquer tipo de atividade, inclusive nos esportes . Trata-se do Biorritmo, capaz de indicar as épocas em que, entre outras coisas, o rendimento do atleta é favorecido, melhorando sua performance e capacitando-o até alcançar índices de recordistas, por outro lado ajuda no sentido de prevenção, pois o atleta bem treinado dificilmente irá se lesionar. Ou então explicar os fracassos que muitas vezes o esportista, mesmo favorito em condições habituais, colhe, como vemos inúmeras vezes nos campeonatos, pelo mundo afora..
Durante a realização das práticas desportivas o homem, procurar sempre se superar, aumentando constantemente seus índices e, para isso, paga então um alto preço, sobrecarregando seu sistema osteomioarticular, principalmente do complexo muscular, o que ocasiona inúmeras lesões, prejudicando muitas das vezes o seu desempenho e favorecendo o abandono precoce das competições.
A Acupuntura, além de ser aplicada na prevenção do equilíbrio energético do organismo do homem, dos animais, das plantas e na terapêutica das doenças, é também usada no extremo oriente, desde tempos imemoriais, para tonificar ou descontrair os músculos de esportistas e trabalhadores.(Meyer,1992).
Na china, um fato que desperta a atenção de turistas de outras partes do mundo, especialmente ocidentais, é a inacreditável facilidade com que os coolies chineses correm sem fadiga aparente, durante horas, puxando seus requisáis. O segredo reside no fato de, períodicamente, usarem Acupuntura em pontos ditos “infatigáveis”. Os mesmos pontos são usados no Laos em dançarinas. No japão, agulhas são colocadas em pontos especiais, antes de iniciados os longos combates individuais de Judô, ou outras lutas ditas marciais. (Meyer, 1992)
Pontos cutâneos conhecidos como Mestres, são aplicados em movimentos musculares e das articulações  em praticantes de várias modalidades desportivas. (Roger de La Fuye)
Cada esporte possui seu grupo músculo-articular próprio que o desportista esclarecido educa e mantém em boa forma. Segundo o Dr. Roger de La Fuye, os desportistas devem ser divididos em duas categorias: Aqueles que se servem, sobretudo de suas pernas e aqueles que se servem, basicamente de seus braços.
O objetivo da Acupuntura como técnica de  tratamento das lesões sofridas no meio desportivo, além de serem muito eficientes, criam também condições para que o atleta volte o mais rápido possível a sua prática desportiva, tratando a dor e o processo inflamatório, favorecendo então uma melhor circulação energética dentro dos meridianos e também na superfície corporal, protegendo então o Sistema Muscular da Invasão das Energias deletérias.
Segundo a visão da MTC, ao estimularmos certos pontos de acupuntura do corpo, podemos promover um melhor desempenho esportivo, aumentando a resistência e desenvolvimento do atleta.

terça-feira, 27 de março de 2018

OS BENEFÍCIOS DA MEDITAÇÃO




Um estudo publicado em fevereiro de 2011, na revista Psychiatry Research: Neuroimaging, sugere que meditar por apenas 30 minutos por dia, durante oito semanas, pode aumentar a densidade de massa cinzenta em regiões do cérebro associada à memória, estresse e empatia.
Regula o ritmo respiratório e o ritmo cardíaco; Aumenta o fluxo de sangue para as células; Reduz o nível do hormônio cortisol, principal responsável pela morte dos neurônios; Permite níveis profundos de relaxamento e bem estar; excelente terapia para pessoas com pressão alta; reduz muito a ansiedade e o estresse (estima-se que 50% de todas as doenças são devido ao alto nível de estresse).
Este poder mental é proporcionado devido ao fato de que o cérebro é um órgão eletroquímico. Pesquisadores especularam que um cérebro em funcionamento pode gerar até 10 watts de potência elétrica.
Há quatro categorias de ondas cerebrais que percorrem a maioria das atividades cerebrais: Beta, Alpha, Theta e Delta.
A frequência Beta está vinculada à atenção, concentração e a cognição. São as ondas cerebrais mais rápidas. Podem variar em frequência de 14 ciclos por segundo (14 hertz ou 14 Hz) até pouco mais de 100 Hz. Quando o indivíduo está bem desperto e alerta, sua mente está concentrada, e está pronta para trabalhos que requerem atenção total.
No estado Beta os neurônios transmitem informações de forma muito rápida, permitindo atingir estados de concentração.
Já a frequência Alpha está vinculada ao relaxamento, visualização e meditação. Nela produzimos pulsos de ondas Alpha na faixa de frequência de 8 a 13 Hz. Por exemplo, quando se está relaxado, a atividade cerebral baixa do rápido padrão Beta para ondas Alpha mais lentas. A consciência interna se expande, a energia criativa começa a fluir e a ansiedade desaparece. O indivíduo passa a experimentar uma sensação de paz e bem estar.
Quanto à frequência Theta, esta se relaciona à meditação, intuição/criatividade e memória. As ondas Theta possuem taxa de frequência entre 4 e 8 Hz. Com o aprofundamento ainda maior do relaxamento, o indivíduo entra no misterioso estado Theta, onde a atividade cerebral baixa quase ao ponto do sono. O estado Theta propicia flashes de imagens do inconsciente (insight), criatividade e acesso a memórias há muito esquecidas. A frequência Theta leva a estados profundos de meditação. Pode-se sentir a sua mente expandir além do limite do corpo.
A faixa Delta  está entre 0,1 a 4 Hz. Delta é a mais baixa de todas as frequências de ondas cerebrais. Está associada com o sono profundo.
Algumas frequências na faixa Delta liberam o hormônio do crescimento humano (HGH) que é muito benéfico para a regeneração celular e a cura. Delta é a onda cerebral para o acesso ao inconsciente, onde a intuição pode aflorar facilmente. Atingir o estado Delta é ideal para o sono, a recuperação física, mental e a meditação profunda.

CROMOTERAPIA




A cromoterapia é um tipo de tratamento que consiste na utilização das cores para curar doençase restaurar o equilíbrio físico e emocional do paciente. A palavra tem origem no grego "khrôma" que significa "cor".
Historiadores afirmam que no Antigo Egito a cor - através dos raios solares - já era usada para o benefício do ser humano. Mais tarde, no século XVIII, o cientista alemão Johann Wolfgang von Goethe conduziu uma pesquisa exaustiva a respeito das cores, concluindo que elas têm um determinado efeito. Ele concluiu que o vermelho estimula, o azul suaviza, o amarelo causa alegria e o verde é relaxante.
Contudo, a cromoterapia só chegou ao Ocidente no século XIX. Nos dias de hoje, a cromoterapia está relacionada com as sete cores do espectro solar, e normalmente um suporte com uma lâmpada de 25 watts é usada no tratamento, onde é colocado a 5 centímetros da pele, atuando durante aproximadamente 3 minutos.
Esta terapia alternativa tem muitos críticos na comunidade científica, que afirmam que no caso da cromoterapia, o efeito placebo é um fator muito importante na cura de alguns pacientes.
A cromoterapia é muitas vezes ligada com algumas práticas esotéricas, como o Feng Shui, os cristais e a astrologia. Em muitos casos, as sete cores usadas na cromoterapia estão diretamente ligadas aos chakras, que são considerados campos de energia que têm influência nas nossas emoções e corpos.

O significado de algumas das cores usadas na cromoterapia é:
Vermelho: É uma cor poderosa e deve haver precauções no seu uso, pois em excesso pode provocar nervosismo e ansiedade. Pode despertar a sexualidade e erotismo.  Área de atuação: ativa a circulação e estimula o sistema nervoso. O vermelho está ligado ao chakra básico, que está localizado no baixo ventre e que comanda a coluna vertebral.

Laranja: É uma cor alegre e antidepressiva. Área de atuação: rejuvenesce e melhora o metabolismo e o sistema digestivo. Pode elevar a pressão sanguínea. Corresponde ao chakra umbilical, que comanda as ações relacionadas com o sexo. Influencia o processo de tomar decisões.

Amarelo: É uma cor inspiradora por isso pode provocar alguma distração e perda do foco. Esta cor influencia o dinamismo e a capacidade de expressão. Área de atuação: olhos, ouvidos, ossos e tecidos internos. Está ligada ao chakra Plexo Solar que rege o estômago e corresponde ao poder pessoal e satisfação.

Verde: É uma cor associada à natureza, tranquilidade, equilíbrio e saúde. Área de atuação: problemas cardíacos, dores de cabeça, insônias, etc. É uma cor referente ao chakra cardíaco, que comanda o coração e o sistema circulatório.

Azul: É uma cor relaxante, que traz paz, serenidade e promove a meditação. Área de atuação: baixa a pressão arterial, tem função analgésica . Corresponde ao chakra laríngeo, que atua no sistema respiratório e faz a gestão da expressão verbal.

Índigo: É uma cor que simboliza a intuição e a compreensão. Área de atuação: purifica o sangue e tem um efeito anestésico e coagulante. É representada pelo chakra frontal, localizado no centro da testa e que controla o sistema nervoso.

Violeta: É uma cor relacionada com a estabilidade e paz na consciência. Promove a concentração e eleva a autoestima. Área de atuação: acalma os nervos e os músculos do corpo, e elimina infeções e inflamações. O chakra correspondente é o coronário, localizado no alto da cabeça e que está relacionado com a concentração e espiritualidade.

KI - A ENERGIA PRIMORDIAL - PARTE II



FORMAS DE KI

A tradição sagrada nos ensina que mesmo que o Ki, a Suprema Energia, seja única, esta se expressa de diferentes formas ou sopros (vayu) mais sutis ou mais densos, como as cores do arco-íris, que são a expressão visível do puro branco da luz. Assim, poderíamos definir estas expressões do Ki ou do prana da seguinte forma, segundo a tradição:]

•         “Prana do alento” ou “sopro vital”. Este ki se expressa na inspiração que recebemos na respiração e que se extende desde o nariz à garganta, coração e aos pulmões. Absorve a energia solar ou fotônica. É um ki “vertical”, proveniente do espaço, da luz, do Sol e do oxigênio. Este ki se relaciona com a cor vermelho rubi. Como anedota, diremos que Onisaburo deguchi e a ordem esotérica O-Moto-Kyo ensinavam a seus seguidores uma técnica de respiração purificadora que permitia separar o ki do oxigênio e reconduzi-lo até os centros superiores, e que esta técnica sobrevive ainda em algumas escolas de Aikido esotérico ou espiritual, ainda que não possa ser revelada em uma publicação devido ao risco que pode levar ao estudante imprudente ou neófito, que não possui um grande domínio de seu corpo astral.

•         A segunda forma de ki é samana, ou “alento médio”, ou “prana de assimilação”, que flui desde o coração ao plexo solar e com o processo digestivo e a assimilação dos nutrientes. Relaciona-se à retenção do alento. É uma energia de construção, de cura e de sustentação da vida. Diz-se que este ki será o responsável por elevar a energia até os centros superiores e “unir o Céu e a Terra”. Sua cor é o branco puro ou transparente como o cristal de rocha.

•         O terceiro tipo de ki é apana, o “sopro ascendente”, relaciona-se à expiração (exalação) e é muito querido pelos grandes ascetas e yoguis, pois se ocupa da excressão, e portanto da purificação dos órgãos, que na prática dos diferentes yogas ou das artes marciais superiores é extremamente importante, pois com a expiração vem a eliminação dos resíduos e tóxicos bio-químicos resultantes da oxigenação e da digestão. E também se limpam os diferentes nadis ou canais de energia, e os órgãos etéricos, uma verdadeira rede etérica formada por milhares de canais (bem conhecidos pelos acupuntores) que conduzem o ki ou prana. Sua cor varia do branco ao vermelho.

•         Udana,é um sopro mais elevado, também muito querido pelos yoguis e praticantes de mantrayama e kototama (a ciência esotérica dos sons), pois relaciona-se à voz, ao som, à linguagem e aos órgãos superiores, e portanto ao corpo etérico, daí a extrema importância em um estudante ou instrutor purificar seu verbo, suas palavras, pois a energia do ki irá diretamente a seu corpo sutil ou etérico, alimentando-o de vitalidade. Muitas enfermidades, sobretudo mentais, têm sua origem em um uso negativo das palavras. Por sua vez, este ki relaciona-se a certas glândulas endócrinas de enorme importância na vida espiritual, como a pineal e a pituitária, que, recordemos, era onde Leonardo da Vinci e René Descartes (dentre muitos outros) situavam a “sede da alma”. Sua cor é azul celeste.

•         Vyana é o ki ou prana superior, pois é a soma dos anteriores, o total das energias prânicas. Relaciona-se ao processo de morte e renascimento. É através deste prana que os grandes lamas iniciados conseguem abandonar este mundo pela parte superior do crânio em plena consciência, sem atravessar os “planos intermediários”, ou bardos. Este sopro surge do “coração secreto” até o exterior em uma forma espiral. Sua cor é o dourado.


domingo, 25 de março de 2018

KI - A ENERGIA PRIMORDIAL



Parte 1

O Ki, a energia que cria e anima todas as formas de existência é, apesar da aura de mistério que geralmente a envolve, o mais evidente sobre esta terra, vivemos literalmente submergidos em um oceano de Ki, pois é a substância ou a vibração que se manifesta em infinitas formas naturais. A ciência compreende agora algo que os sábios da antiguidade já conheciam, que a matéria é um som, uma vibração. Mas especulando até o infinito, intuem que esta matéria não é outra coisa que a luz densificada, ou cristalizada. Pitágoras, a mais de 2500 anos afirmava que uma pedra era, na realidade, música petrificada.
Os sábios instrutores de yoga, meditação, cura ou de artes marciais, com um designo espiritual, nos aconselham a sermos extremamente cautelosos quanto ao uso ou ao desenvolvimento do Ki ou prana, pois não deixam de insistir no fato de que a energia, Ki, Chi ou prana, é absolutamente neutra, totalmente impessoal, como a energia solar ou a eletricidade, e que nutrirá nossas tendências e inércias, da mesma forma que a luz do sol pode fazer crescer uma flor de lótus ou de ópio. Um axioma hermético muito antigo nos diz que a energia segue o pensamento, e de acordo com isso, se desejamos entrar em contato com a Fonte do Ki, devemos observar cuidadosamente a qualidade de nossos pensamentos, palavras e atos, encontrar o núcleo de onde surgem, e comprovar se emanam de nosso amor, da compaixão e da alegria, ou de nossos desejos e medos, com todas suas positivas ou fatídicas consequências. A esse respeito, diríamos que alguns dos livros publicados sobre a arte do pranayama (as antigas técnicas para absorver a energia do Ki ou prana por meio da respiração) são muito nocivos, pois raramente advertem os estudantes acerca dos riscos derivados de uma prática indiscriminada. Não esqueçamos que trabalhar com a energia do Ki sem um guia que conheça a ciência do uso da energia e a anatomia do corpo humano, é literalmente brincar com fogo.
Por outro lado, as técnicas de Aikido e de outras vias como a arte da espada ou o Karate-do tradicional, que incorporam numerosas formas de exercícios respiratórios, fazem desenvolver muito rapidamente uma grande quantidade de Ki hárico, e se não existe uma conduta elevada, guiada por grandes valores humanos como compaixão, não-violência, desapego e equanimidade, veremos surgirem sintomas de nossas paixões dominantes, nossas tendências latentes (sámskaras) e inércias mentais (vasanas).
Os mestres nos dizem que o Ki pode expressar-se de duas formas bem diferentes: como tariki, o “Ki criativo”, feliz, pacífico, alegre, expansivo, inclusivo e fluido, que surge do coração e dos centros (chakras) superiores, ou o yoriki, o “ki nefasto”, destrutivo, egocêntrico, impetuoso, individualista, que tende à agressividade e, inclusive, à violência. Este é o Ki do hara ou cérebro reptiliano e abdominal, com todas as suas nefastas e imprevisíveis consequências. Precisamente este tipo de Ki negativo, ancorado no hara, é o que muitos guerreiros samurais desenvolvem, e por azar uma grande maioria dos praticantes de artes marciais e de professores que não tiveram a fortuna de serem instruídos por um professor compassivo, pacífico e sábio.

A CIÊNCIA DO KI

Se desejamos nos aprofundar nos mistérios do Ki, deveremos indubitavelmente dirigir nosso olhar à Mãe Índia, onde os grandes sábios, yoguis, ascetas e iniciados realizaram profundas investigações por milhares de anos acerca da estrutura esotérica dos corpos físico, etérico e mental do ser humano, aliados à respiração.
Sensei Michel Coquet nos diz: “ O prana tem sua fonte no sol, que é um grande animador e é quem confere às formas um movimento próprio. Na respiração, o prana não é o movimento de inspiração e expiração que podemos observar, mas sua causa. Imprime este movimento para espalhar-se por todo o organismo. (... ) Digamos simplesmente que o prana é a soma das energias cósmicas em ação, é a força da vida em si mesma. É a energia inerente a cada um e ao cosmos. (...) A importância do controle do prana vem do fato de que o prana caminha junto com manas (a mente) e que manas controla os sentidos.” (1)
Quando o Ki penetra uma forma, lhe concede vida, uma vibração e um movimento. Poderíamos expressar simbolicamente este conceito com uma semente que possui em si mesma a consciência ou informação genética necessária para converter-se em uma flor ou em uma poderosa árvore, e será o Ki solar que irá despertar a vibração que lhe permitirá expressar-se e evoluir como uma expressão consciente e orgânica de energia. Quando o Ki nutre uma determinada forma de vida, desde um átomo, um elétron, um ser vivo ou toda uma galáxia, lhe infere um triplo movimento. Primeiramente uma pulsação, logo uma rotação sobre si mesmo, e finalmente uma forma energética de espiral ascendente. Notemos, de passagem, a semelhança desta definição do Ki com os movimentos do Aikido. Por esta razão, Morihei definia sua arte como uma forma de incluir-se ou adaptar-se ao movimento mesmo do Universo. O Sensei escreveu:
“No princípio era a força original que chamamos Ki. Essa força original se manifestou através de um som e criou o mundo em que vivemos. Como consequência, nossas vidas são uma parte do Universo, e cada um de nós, até o mais débil, possui uma força interna muito grande que lhe foi dada em seu nascimento.”
Inspirando-se na metafísica do Shinto esotérico, e sobretudo nos ensinamentos de seu mestre, Onisaburo Deguchi, lider da escola esotérica O-Moto-Kyo, Morihei Ueshiba também concebeu esse eterno fluir da energia do “Ki Criador”como Kannagara-No-Michi, “a onda de Deus”, o fluxo da força criativa que une o passado com o futuro, que percorre o espaço e o tempo e cria as formas de existência em todos os mundos, planos e dimensões de consciência. Para o Sensei, Kannagara é “um caminho de perfeição que não comporta doutrinas do bem nem do mal. Uma via que encontra a verdade e realidade divinas, constantemente em busca de formas cada vez mais perfeitas de existência”.
“Kannagara é um caminho de liberdade suprema, pois para que a ação esteja em harmonia com a Natureza, deve ser o resultado de uma obediência espontânea ao Kami, criador e origem do Universo. As montanhas, o vento, os rios, as árvores, as ervas levam seu nome” Mitsuji Saotome.

Integrar-se, fluir, incluir-se no Kannagara é ser “Um com o Universo”, fazer-se “Um com o Tao”, mas o ser humano deve antes libertar-se de numerosas tensões e bloqueios físicos, emocionais e mentais. Por esta razão os primeiros momentos na prática do Aikido deveriam ser consagrados a uma dinâmica de purificação (misogi) e de liberação do corpo físico e emocional para que o bom Ki, a energia vital, possa circular livremente sem obstáculos. A prática do Aikido é em si mesma uma sábia forma de criar e sintonizar um instrumento musical, uma disciplina que refina e purifica nosso corpo sutil para fazê-lo acessível e sem riscos a energias de elevada taxa vibratória, como são os diferentes asanas do hatha yoga. Esta práticas de desbloqueio de energias têm muito em comum com os pontos de vista de Wilhelm reich ou Alexander Lowern. O próprio Reich, que designava o Ki com o nome de “Orgone”, escreveu: “O pensamento funcional não tolera nenhuma condição estática. Por esta razão, todos os processos naturais estão em movimento, inclusive no caso de formas rígidas ou imóveis. Também a natureza flui em cada uma de suas funções como uma totalidade”.
Nossos temores, medos, traumas, ambições, amores, desamores, orgulhos e ódios, desejos e paixões, contraem, bloqueiam e colapsam algo em nós, tanto física quanto psíquicamente. Devemos saber que o contato direto com o Ki pode trazernos um notável despertar das faculdades psíquicas e mentais, uma abertura às sutis energias da Natureza, uma grande melhora de nosso caráter, um refinamento de nossos sentidos, de nossos pensamentos, palavras e atos, e uma especial sensibilidade que nos permite perceber os planos ou campos energéticos sutis (não astrais!) e uma melhora de nossa saúde e de nossa intuição, ou pelo contrário, um obscurecimento de nossa mente, um retorno a formas primitivas e selvagens do pensamento, da palavra e do ato, e fisicamente, uma visível retroversão da pélvis, por uma sobre-alimentação dos chacras inferiores, que levam ao aumento das paixões, dos desejos compulsivos, dos medos, e uma negativa tendência à animalidade, com todas suas fatídicas consequências.
Recordemos que a astúcia, a cólera, o instinto de seleção natural, os desejos obsessivos, a ganância, a luxúria, a crítica destrutiva, a infâmia, a delação, a injúria, a calúnia, dentre outros, não são qualidades da alma, não pertencem ao homem espiritual, senão a nossa herança seletiva do reino animal com todas as suas tendências latentes em nossa subconsciência procedente de nossa passagem por diferentes reinos da Natureza.

ACUPUNTURA AURICULAR OU SIMPLESMENTE AURICULOTERAPIA




A medicina natural tem seus princípios básicos fundamentados na medicina dos antigos povos orientais, particularmente o chinês. A auriculopuntura, variante da acupuntura - técnica das mais desenvolvidas e utilizadas hoje, que age no plano energético -, é uma técnica que trabalha certos pontos na orelha que servem tanto para prevenção quanto para tratamento de vários desequilíbrios energéticos.
A medicina tradicional chinesa considera a orelha um extremo de íntima relação com os canais de energia - é uma parte do corpo que constitui todos os outros órgãos -, cuja relação é a seguinte: Os canais Yang - intestino grosso, estômago, intestino delgado, bexiga - passam ao redor da orelha, ligando-se diretamente. Os canais Yin - pulmão, baço, pâncreas, coração, rim, fígado e órgãos sexuais - estão ligados à orelha por meio de ramificações.
Por acreditar que eram linhas imaginárias, a ciência ocidental batizou os canais de energia com o nome de meridianos. Em Paris, o Dr. Jean Claude Darras, do Hospital Neker, provou cientificamente a existência dos canais de energia com uma experiência: "Em um determinado ponto de acupuntura injetou uma substância radiativa de contraste, denominada tecnécio. A princípio, o tecnécio espalhou-se por toda a região desordenadamente; porém, outro ponto relacionado ao mesmo canal foi estimulado. Observou então que a substância se concentrou no ponto de origem e correu por um canal até alcançar o outro ponto". Com essa experiência provou-se a existência de um canal em nosso organismo que não pode ser visto a olho nu.
Por esses canais circulam energias conhecidas pelo nome Chi, em chinês, ou Ki, em japonês. O primeiro tipo de energia é o que circula junto com o ar (Yeung Tchi, em chinês). Podemos observá-lo a olho nu quando olhamos para o céu em dias ensolarados e observamos pequenos pontos prateados circulando com extrema velocidade (se você estiver em lugar livre de poluição, essa observação se tornará mais fácil). O segundo tipo provém dos alimentos (Kou Tchi), daí a importância vital de nutrir nosso organismo com alimentos naturais. Alimentos com conservantes e agrotóxicos diminuem a qualidade dessa energia.
O terceiro tipo é conhecido como energia ancestral, primordial ou vital (Yuen Tchi). Representa a potencialidade da vida do ser humano em seu nascimento. Herdamos essa energia de nossos pais no momento da união do espermatozóide com o óvulo. Ela decresce durante toda a vida, até chegar à morte natural. Essa energia vital nasce nos rins e se encontra principalmente localizada na parte inferior do abdome, entre o umbigo e o púbis. Na região chamada sede inferior ela está presente em todas as células do corpo e circula com a energia alimentar nos canais.
O lugar em que vivemos, o tipo de alimento que ingerimos, a qualidade do ar e até a forma de respirar influenciam diretamente na qualidade de nossas energias. Viver da forma mais natural possível e praticar exercícios que ajudem a melhorar a circulação física e energética, como o tai chi chuan ou o tchi kong, pode melhorar em muito nossa qualidade de vida. Lembre-se de que a energia que você produz hoje virá a ser a energia vital de seu filho.

Atendimento e aplicação dos pontos auriculares

Antes de fazer uma aplicação auricular, é necessário saber em qual das orelhas se vai trabalhar. Em princípio, deve-se observar qual o lado dominante do paciente - direito ou esquerdo. Nunca se deve aplicar nas duas orelhas ao mesmo tempo. É preciso intercalar as aplicações em uma orelha por vez, num intervalo de sete dias, no máximo.
Para localizar desequilíbrios, pode-se primeiro observar a orelha e tentar encontrar pequenas diferenças na região, como, por exemplo, pequenas manchas ou pontos pretos, escamações e até diferenças de tonalidade da pele, que a princípio podem parecer natural. Outra forma de localizar pontos que devem ser tratados é a utilização de um aparelho chamado apalpador de pressão. Constituído por uma pequena peça de metal com ponta arredondada e uma mola interna, esse aparelho exerce pressão constante. Todo ponto de aurículo é conhecido como ponto de dor; isso significa que, quando pressionado algum ponto em desequilíbrio, o paciente irá se queixar de uma pequena dor ou sentirá uma simples fisgada.
Existem várias formas de aplicação. Aqui descreveremos apenas as quatro mais utilizadas:
Agulha sistêmica - Normalmente usada no corpo, pode ser também utilizada em aurículo. Seu único inconveniente é que o paciente deverá permanecer deitado e com as agulhas na orelha por um período de 20 a 30 minutos, e a cada 5 minutos deve-se estimular e aprofundar a agulha, causando um certo desconforto.
Agulhas de uso semipermanente - Com aparência de uma pequena tachinha e uma ponta que ultrapassa l,3 milímetro, após sua aplicação deve-se cobri-la com um pequeno pedaço de fita microporo, para evitar que caia. O paciente deve permanecer com as agulhas pelo prazo máximo de sete dias e cuidar para que não haja contaminação.
Ponto esfera - Constituído por uma pequena esfera de metal, este ponto deve ser aplicado da mesma forma que a agulha semipermanente, e os resultados obtidos sãos os mesmos. A diferença é que o ponto esfera pressiona, em vez de furar, e normalmente se usa em crianças com idade até 12 anos e em adultos com orelhas sensíveis.
Ponto semente - É uma pequena semente de mostarda, usada da mesma forma que o ponto esfera, com a diferença de que este ponto deve permanecer na orelha por um prazo máximo de quatro dias. Por se tratar de material orgânico, ele pode se decompor e causar algum tipo de contaminação, e, em conseqüência, provocar inflamação na região.
Deve-se atentar para o fato de que toda e qualquer forma de aplicação não deve exceder seis agulhas. Antes de qualquer aplicação, deve-se limpar a região, de preferência com álcool a 750 GL.



Formas auxiliares no tratamento:

A acupuntura e a auriculopuntura não utilizam somente agulhas ou pontos. Outra forma auxiliar no tratamento são as normas de alimentação. Um grande erro cometido pela maioria das pessoas ao se alimentar é o hábito de tomar líquidos, principalmente gelados, durante ou logo após as refeições. Observe o que acontece quando se comete esse erro.
A princípio ocorre uma reação chamada choque térmico, que é o esfriamento do organismo de forma brusca. Nesse caso, será necessário muito mais energia para reaquecê-lo. Isso faz com que os órgãos passem por um processo de febre gastrintestinal. Esse calor febril chega ao coração, acelera seu ritmo e, assim, aumenta a freqüência da onda sangüínea para os pulmões. Dessa forma se congestionam progressivamente seus tecidos, o espaço destinado ao ar neles contido se estreita e, como decorrência, diminui a capacidade de trabalho dos órgãos respiratórios. A pele, que funciona como segundo pulmão e rim, também fica incapacitada de desempenhar suas funções por falta de uma irrigação sangüínea na superfície do corpo, devido à congestão das vísceras febris.
Outra conseqüência causada pela ingestão de líquidos durante e logo após as refeições é que o bolo alimentar se torna macio demais, o que dificulta seu trajeto e pode provocar prisão de ventre, que resulta em mais toxinas para o organismo. As frutas também devem ser evitadas, pois causam os mesmos transtornos que os líquidos. O ideal é ingerir frutas ou líquidos no máximo quinze minutos antes e no mínimo duas horas depois de cada refeição.
Observando estas regras simples, tomando refeições nas horas certas, dormindo o número de horas exigido por seu corpo, fazendo exercícios regularmente, evitando bebidas alcoólicas e fumo e trabalhando não mais do que manda o bom senso, as chances de você ter boa saúde serão enormes. Na eventualidade de um desequilíbrio, porém, o tratamento com certeza será bem mais simples e rápido.
Texto de: Wagner P. Fonseca
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sexta-feira, 23 de março de 2018

ASANAS




Ássana, asana ou asana é uma palavra de origem sânscrita (significando "sentar") que nomeia as diferentes posturas utilizadas pela ioga para suprimir a atividade intelectual. São diversos os tipos de asanas: entre os principais, estão o padmasana, o bhadrasana, o vajrasana, o virasana e o svastikasana.  Nos Ioga Sutras de Patanjali, se menciona a execução de asanas como o terceiro passo do Raja yoga.
A prática de asana desenvolve uma musculatura flexível, e ossos e tendões resistentes, bem como o massageamento de órgãos, e o equilíbrio das funções de diversas glândulas internas. A tradição indiana também enumera, como benefício, a melhoria do fluxo de prana(uma espécie de energia vital; qi em Chinês; ki em Japonês (esta informação é apenas ilustrativa, pois trata-se de filosofias distintas)) para permitir o equilíbrio dos kosha e o fluxo de energia pelas nadi (sistema circulatório energético).



Nos Ioga Sutras, Patañjali descreve asana como o terceiro dos 8 ramos do Raja Yoga Clássico. Ou outros oito ramos são yama (regras de conduta para lidar com o mundo exterior) e niyama (regras de conduta para lidar com seu íntimo), asana (posição), pranaiama(respiratório), pratyahara, (estado distração ou sensação de recolhimento), dhárána (concentração), dhyána (meditação) e samadhi(autoconhecimento pleno, megalucidez).
O ásana deve ser firme e confortável. Ele não deve ser a causa de nenhum tipo de desconforto. Qualquer retesamento ou tensão observada no corpo deve ser conscientemente relaxada. Esta posição deve ser tão confortável que você possa ficar na mesma por um longo período. O ásana deve ser um esforço de corpo e mente. A sensação de se estar absolutamente confortável é sinal de um asana perfeito. A respiração deve ser normal e ritmada, iniciada nas narinas, e terminada no abdômen. Pode-se utilizar respiração abdominal ou completa (baixa, média e alta).
De acordo com os praticantes de Hatha Yoga, quando você consegue gerenciar o controle corporal, você se libera da chamada 'dualidade dos opostos', como o calor e o frio, a fome e a gula, alegria e a tristeza, assim por diante.